Tenho recebido inúmeras perguntas dos internautas querendo saber sobre tratamentos específicos para clarear pele negra ou morena escura que apresente manchas. Fica impossível responder à cada pergunta individualmente, por isso resolvi escrever esse artigo com novidades que estão sendo pesquisadas no momento ou que já estão disponíveis para esse tipo de queixa. Lembro, porém que se você tem qualquer tipo de mancha, deve procurar o médico dermatologista para diagnosticar se o caso pode ser tratado com produtos cosméticos ou se o tratamento deve ser médico.

Você pode ainda não saber, mas não existe diferença entre os melanócitos entre as diferentes raças (branco, negro, índio, asiático,…), mas sim existe diferença na distribuição dos melanossomas. A grande discussão do momento no mundo onde pesquisam e  desenvolvem cosméticos para cuidados com a pele negra ou morena escura é encontrar produtos que sejam eficazes e que possam ser utilizados no lugar da hidroquinona, pois a hidroquinona deve ser proibida nos produtos cosméticos de venda livre (produtos OTC), sendo somente utilizadas sob prescrição médica. Alguns dos ativos sugeridos são: ácido azeláico, mequinol, retinóides, ácido kójico, ácido glicólico, niacinamida, vitamina C, arbutin, deoxyarbutin. Nenhum desses ativos, no entanto, apresenta, clinicamente, o mesmo poder clareador da hidroquinona. Aqui está uma relação uma relação de ativos clareadores com atividade clareadora demonstrada “in vivo”: soja, rucinol, N-acetilglucosamina, glabridina.

Soja
A soja atua na transferência de melanina pela inibição da proteína ativadora do receptor 2 (PAR-2). Tem atividade clareadora quando utilizada a longo prazo. Um dos estudos clínicos com a soja foi o de Hermanns JF. E colaboradores (Dermatology. 204(4):281-6, 2002. )que foi um estudo aberto comparativo entre a soja estabilizada, 20% de ácido azeláico, 5% de ascorbil glucosamina + 1%ácido kójico e ésteres de alfahidróxiácidos no tratamento de lentigos solares de mulheres asiáticas. O resultado foi que a soja estabilizada apresentou o melhor efeito clareador.

Rucinol
O 4-n-butilresorcinol inibe tanto a tirosinase quanto a tirosinase relacionada à proteína 1 (TRP-1). tyrosinase-related protein-1 (TRP-1) . O estudo foi duplo cego, randomizado, apenas num lado do rosto e  controlado com o veículo e realizado durante 3 meses em um único centro. O serum de rucinol 0,3% melhorou significativamente o melasma quando comparado ao veículo. (Khemis A. e colaboradores. British Journal of Dermatology. 156(5):997-1004, 2007 May. )

N-acetil glucosamina

A N-acetilglucosamina é um monossaccarídeo derivado da glicose, uma unidade monomérica de quitina que forma a camada externa que reveste insetos e os crustáceos. O estudo de Bissett DL. E colaboradores (Journal of Cosmetic Dermatology. 6(1):20-6, 2007 Mar. )foi realizado em 8 semanas, sendo duplo-cego, controlado com placebo, randomizado e feito na hemiface. O NAG 2% reduziu a aparência da hiperpigmentação facial e a combinação de NAG 2% com a niacinamida 4% demonstrou uma melhora muito maior.

Glabridina

É o principal componente  da fração hidrofóbica do extrato de licorice. Glabridina 0,5% inibe o eritema e a pigmentação induzida pelo UVB na pele de cobaias. (Yokota T.  e colaboradores  Pigment Cell Research. 11(6):355-61, 1998 Dec. )

Indicações de procedimentos cosméticos para a pele étnica.
- Microdermoabrasão e peelings químicos: ambos alteram a barreira cutânea e permitem a melhor penetração dos agentes tópicos. Um aparelho novo chamado SilkPeel consiste de uma ponta de material  translúcido com pontas cambiáveis contendo uma lixa de diamantes. Esse sistema permite que ao mesmo tempo em que “ lixamos” a pele com a ponteira de diamante, saia o ácido do peeling químico. Com isso teremos o peeling físico e o químico ao mesmo tempo. Estudo anátomo patológico demonstrou que ocorre remoção entre 30 a 35 mícrons da epiderme com esse método. O equipamento não usa cristais, é conhecido como “Wet abrasion”  (“abrasão molhada”) Já existe ess tecnologia no Brasil, temos os aparelhos de diamantes para fazer a abrasão física (peeling físico)e a seguir aplicamos diferentes ácidos como o glicólico, o retinóico, o salicílico e outros para fazer a esfoliação química (peeling químico).

- Tratamento não ablativo com Fraxel para cicatrizes de acne: Estudo realizado com 10 pacientes japoneses, utilizando 6mJ, 4 passadas, com TD 1000 a 1500 mtz/cm2  (HaseGawa T, Matsukura T, Mizuo Y  et al Journal of Dermatology 2006;33:623-27), mostrou resultados satisfatórios na avaliação do médico e do paciente (variando entre bom e excelente resultado). Não houve caso de hipercromia, nem de cicatriz.

- Tratamento não ablativo com Nd:YAG e diodo 1450nm para cicatrizes de acne atróficas nas peles tipo I a V demosntrou que houve melhora das lesões, sem efeitos adversos significativos. Tanzi EL, Alster TS, Comparison of a 1450-nm diode laser and a 1320-nm Nd:YAG laser in the treatment of atrophic facial scars: a prospective clinical and histological study. (Dermat Surg 2004 )
Outros tratamentos para melhorar a flacidez são a radiofreqüência e o infravermelho, os estudos promissores com essas tecnologias vão beneficiar as pessoas de fototipo alto (pele morena e pele negra) que não querem arriscar passar por uma cirurgia plástica devido ao risco de ficarem com quelóides e cicatrizes inestéticas. Lembramos que a pele morena e negra tem maior tendência a formação de cicatrizes inestéticas e quelóides, hipercromias pós inflamatórias (manchas escuras pós trauma ou procedimentos que causem dano à pele), …Por isso, nesses pacientes devemos optar por tratamentos menos invasivos como a microdermoabrasão, peelings seriados superficiais, IPL e laser não ablativo e a  radiofreqüência.

O Brasil é um país multirracial, onde a miscigenação foi comum e freqüente ao longo dos anos. Conhecer os tratamentos disponíveis para a pele étnica é fundamental para oferecermos  um tratamento seguro para a pele “multiétnica” brasileira.

Dra. Érica Monteiro – Dermatologista

CRM 87350

tel:11-50441064